Como muitos jovens do mundo todo, até agora ela foi apenas uma estudante norte-americana num dos muitos programas de intercâmbio que pululam nas universidades argentinas, outra dádiva do peso desvalorizado.
Por causa do sobrenome, muitos colegas lhe perguntavam se tinha algo a ver com o candidato republicano à presidência dos EUA, John McCain. “Sim, é meu avô”, respondia com naturalidade. No passado fim de semana, Caroline McCain decidiu falar com dois jornais argentinos (La Nación e Perfil) e oficializou sua presença no país. Agora essa menina não vai mais ter paz.
Caroline, de apenas 20 anos, estuda jornalismo e combina cursos em três universidades, duas privadas e uma pública – nada menos que a Universidade de Buenos Aires (UBA). Seus interesses são “Análise internacional da notícia” (Universidad del Salvador), “Origens do peronismo” (Universidade Católica) e “Globalização, sociedade e teoria social” (UBA). Além disso, a jovem pretendia aperfeiçoar seu espanhol.
A jovem afirma que “Bush não é a verdadeira cara dos EUA”, que seu avô tenta difrenciar-se dele “há oito anos” e que se as eleições fossem entre ele e Barack Obama, votaria nos democratas. Vaticina, porém, que Obama não tem experiência: “Meu avô vai ganhar dele”. Disse ser contra a guerra no Iraque (a qual seu vovô apoiou), mas que agora os EUA têm que terminar o que começaram. Que na Convenção Republicana de Minnesota, John McCain estava “cheio de energia” e tratou de não falar mal de Sarah Palin, a vice que vale uma piada (ou mais): “Ela não tem uma trajetória política muito grande, mas honestamente creio que está qualificada”. A estratégia de Caroline foi compará-la ao atual vice-presidente Dick Cheney: “Nunca tivemos vice-presidentes extremamente qualificados até Cheney. E após oito anos de Cheney, não estou segura quanto a querer um vice-presidente extremamente qualificado e poderoso”, considera ela, no La Nación.
Caroline confia no futuro e prognostica grandes mudanças seja com McCain, seja com Obama à frente da Casa Branca. “Minha geração vai melhorar os EUA”.
No jornal Perfil, a jovem escreveu ainda uma nota pessoal, em que se derrete pela Argentina e por Buenos Aires, recorrendo ao velho clichê de “cidade mais européia da Améica do Sul”. “Estou muito cômoda nessa cidade, acho que me apaixonei por Buenos Aires”. Na entrevista, diz que gosta muito da UBA: “É muito colorida e desorganizada, mas também está cheia de discussões interessantes entre alunos e professores. Ouço coisas muito fortes sobre os EUA e sua relação com a América Latina, e acho que estou começando a compreender que meu país cometeu alguns erros nesta região”.
Ela conta ainda que recomendou a Argentina ao avô: “Há um mês viajei para a Convenção Republicana e meu avô me perguntou pela Argentina; eu disse que ele tinha que conhecer este país, porque é lindo e tem muito a oferecer”. E arremata: “Aqui há uma paciência e um apreço pela vida que não existe em meu país”.
Caroline vai aos EUA para o pleito que acontece no próximo dia 4 de novembro e prometeu ao Perfil a cobertura e uma entrevista com o avô. Não falta muito para saber se John McCain será eleito presidente, mas ele já tem uma excelente agente de relações públicas.
Entrevista Perfil – Texto de Caroline no Perfil – Entrevista La Nación

No Comments so far ↓
There are no comments yet...Kick things off by filling out the form below.