
Bombinhas, Santa Catarina – Crédito da foto
O real se desvalorizou e vem se acomodando frente ao dólar; o peso argentino demorou, mas vem seguindo a mesma inevitável tendência. Mesmo assim, a moeda brasileira já não vale mais quase duas vezes o que os argentos têm debaixo do colchão e isso basta para liberar todo aquele tesão reprimido de voltar a veranear no Brasil – ou que pelo menos a estadia pese menos no bolso.
O Brasil é o primeiro destino turístico internacional para a Argentina, desnecessário dizer que a maioria dos turistas acaba visitando as praias da região sul. Floripa que o diga: a economia da cidade sofreu tanto quanto a do país vizinho os efeitos da crise de fins de 2001. Outros destinos são grandes cidades, como Rio e São Paulo.
ATÉ QUE PONTO A ALTERAÇÃO CAMBIÁRIA PODE REVERTER O SENTIDO DO TURISMO
Não tenho dúvida: até o ponto em que o dólar subir, já que as passagens aéreas são calculadas em moeda americana. Apesar de que por estas pampas o dólar já estivesse alto antes dessa crise, as promoções da Gol bem que ajudaram a empurrar as fronteiras dos pibes a destinos como o nordeste, por exemplo. Se não houver uma barganha daquelas de fim de ano, talvez a opção para eles seja mesmo cruzar para o sul do Brasil em ônibus e ficar por ali mesmo ou tomar uma mega promo aérea daquelas de 1 real por trecho, se houver. Se tudo der certo, a Azul já estará funcionando e será outra opção. Cá entre nós: deveriam agradecer pelo fato de o Brasil não cobrar tarifas diferenciadas para estrangeiros (prática ilegal porém instituída em muitos serviços turísticos na Argentina).
A prova de fogo mesmo será saber se o argentino terá conseguido fazer seu pé de meia, contra vento e maré (inflação e alta do dólar), e se decidirá abrir a carteira no próximo verão no Brasil.
PRAIAS, CAIPIRINHA, GUARANÁ E GAROTAS
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Em abril deste ano, o jornal Clarín já especulava com a aproximação do peso e do real supervalorizado. Com base em “progósticos de economistas e analistas de bancos de inversão”, o diário cantava a bola de que tirar férias no Brasil poderia ficar mais barato. A crise aplastou o real para além do que os tais observadores do mercado puderam prever e começou-se a ler nos jornais daqui algo, no mínimo, torpe: em vez de se preocupar com conseqüências como perda de emprego, inflação, recessão e tudo mais que configure um verdadeiro beco sem saída econômico, os argentinos passaram a festejar a desvalorização do real e a possibilidade de dar um tchibum em águas mais quentinhas.
Quer matéria mais otimista que esta? Por ocasião da apresentação da nova campanha Brasil Sensacional pelo Instituto Brasileiro de Turismo para 2009, o Crítica De la Argentina não consegue disfaçar. E volto a recomedar a leitura dos comentários dos argentos à nota. Melhor irem caprichando no portunhol.
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